Informações reunidas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deixam evidente que embora tenha havido um aumento expressivo no Brasil do número de vagas (160%) e de concluintes (135%) de cursos de nível superior na última década, ainda há muito a fazer para que o desempenho internacional do Brasil melhore.  Quando se observa a proporção de pessoas com ensino superior no total da população de cada país, as diferenças entre o Brasil e as demais economias ficam evidentes. Em relação a este indicador, o Brasil está entre aqueles com o mais baixo contingente (11%), à frente apenas da África do Sul (4%), Indonésia (4%) e China (4%). Os demais países latino-americanos que compõem a amostra da OCDE – Argentina, México e Chile – apresentam resultados superiores aos do Brasil, com, respectivamente, 14%, 16% e 24% da população entre 25 e 64 anos com ensino superior.

População entre 25 e 64 anos com ensino superior completo, países selecionados, 2010

Fonte: OCDE, 2011

Se considerada a participação dos cursos de Engenharia, vê-se que estes respondem somente por 5% dos formados: a menor participação dentre todos os países analisados pela OCDE. Já na Coréia do Sul, comumente citada nas comparações internacionais com o Brasil, esse índice chega a 25%. Conforme se observa no gráfico abaixo, o melhor desempenho é o da China, onde 29% dos concluintes são da área de Engenharia, resultado que certamente traduz o esforço chinês de se tornar a potência econômica do século XXI.

População entre 25 e 64 anos com ensino superior completo, países selecionados, 2010

Fonte: OCDE, 2010

Em conseqüência, não surpreende que, dentre os países investigados pela OCDE, o Brasil seja o que menos forma engenheiros em relação ao tamanho de sua população. De acordo com dados de 2007 (que, vale dizer, permaneceram iguais em 2009), eram 2 profissionais de engenharia para cada 10.000 habitantes – comparativamente, os coreanos formavam oito vezes mais, os chineses, cinco vezes mais e Chile e México, pelo menos o dobro do Brasil.

 

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8 Responses to “Formação em Engenharia no Brasil: comparação internacional” Subscribe

  1. Ricardo Cruz December 9, 2011 at 2:40 pm #

    Uma vez, há uns 40 anos, vi uma frase impactante em um livro da Editora do Exército, que é “um país se faz com homens e livros”. Claro, o “livros” da frase tem o sentido mais amplo de “estudos”. E o que vimos no Brasil, desde a metade do regime militar, foi a degradação do sistema nacional de ensino, em todos os níveis, em detrimento de mirabolantes teses pseudo desenvolvimentistas. Tivemos um presidente – Fernando Cardoso – que com parcela significativa de seus ministros eram oriundos da academia -, que tratou a Educação como “custo”, e não como investimento. E chegamos a esse ponto triste de baixo número de formação de engenheiros; e entre os que se formam, baixos níveis de conhecimentos. Sou engenheiro mecânico e doutor em engenharia formado há 30 anos. Neste período, pude ver a degradação de áreas infraestruturais importantíssimas para o País, como as das engenharias civil, elétrica e química – onde profissionais precisavam trabalhar como motoristas de praça, vendas e laboratórios de análises clínicas para sobreviver, porque a engenharia se tornara uma péssima carreira no Brasil; enquanto as “grandes” oportunidades estavam no direito, na política e no executivo de governo. Enfim, um belo dia, o País descobre que precisa de engenheiros e não os tem. É deprimente tal realidade em um país tão rico e belo, quando se compara, por exemplo, com Coréia e China, que hoje fabricam carros com ferro brasileiro e alto conteúdo tecnológico e nos vendem, carros esses que poderiam ser feitos pela melhor experiência automobilística da engenharia mecânica no Brasi,l a Gurgel Veículos (fábrica que hoje teria a mesma idade das asiáticas Cherry, Kia, Hyundai, etc.), fruto dos esforços de um grande brasileiro, o Eng. Mecânico João Gurgel, que foi “falida” pelas forças ocultas do setor automobilístico, há uns 30 anos. Disso, infere-se que o Brasil foi inventado para viver em segundo plano mesmo… ou seja, “quem nasceu pra ser prego, nunca vira martelo”.

    • Daniel March 26, 2013 at 6:04 pm #

      falou tudo!!!

  2. Aparecido Thomas Alves December 16, 2011 at 5:55 pm #

    Só precisamos irradiar energia positiva, otimismo e uma confiança plena de que podemos chegar ao nivel de uma Russia, de que nossa vontade é forte o bastante para refletir impressões ao redor e que tudo é possível realizar, quando damos o melhor de nós em cada situação.

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